Cultura visual Queer e a Educação: um breve panorama

A gente sabe que as evidencias históricas de uniões entre pessoas do mesmo sexo são freqüentes a todas as sociedades e em todas as épocas. Mas segundo Foucault, os primeiros registros teóricos sobre homossexualidade só datam o ano de 1870, através do artigo “sensações sexuais contrarias” de Carl Westphal. E ate a época de Freud, todos os discursos eram tendencialmente negativos, partindo da consideração de que o sexo tinha a finalidade única de reprodução. Em 1905, o pai da psicanálise desmistificou as concepções clássicas com o livro Três Ensaios Sobre a Teoria da Sexualidade, entretanto, foi só em 73 que a Associação Americana de Psiquiatria retirou a homossexualidade da lista de anomalias.

Brasil, 1985. O Conselho Federal de Medicina decretou sem efeito o código 302 que a classificava como desvio, transtorno sexual. Essa década também foi marcada pela expansão do sistema educacional, que marcou o surgimento de preocupações em torno da construção de sujeitos e das relações estabelecidas entre eles. O Ministério da Educação e Ministério da Saúde começam a promover projetos voltados para educação sexual. Houveram projetos menos abrangentes que antecedem essa data, desenvolvidos entre 61 e 69 em São Paulo, mas foi a partir daí que questões referentes a sexualidade, identidade e expressões de gênero começaram a ser discutidas mais abertamente no interior dos espaços sociais. A grande maioria desses discursos ainda estavam vinculados ao combate a Aids e DST´s, e por isso tendiam a ignorar outros pontos igualmente importantes como direitos sexuais e o reconhecimento da sexualidade como fator de construção do conhecimento, por exemplo.

Abordagem da Aids na campanha educativa sobre homossexualidade: Homossexualidade na escola : Toda discriminação deve ser reprovada : Ninguém deve ser discriminado pela orientação sexual. A prevenção da aids depende do respeito e da compreensão. E começa em cada um de nós.

Em 1989, a Secretaria Municipal de Educação da cidade de São Paulo lançou vários cursos de formação de professores que buscavam desenvolver questionamentos e a construção do saber trabalhando temas relativos a sexualidade. Os cursos envolveram cerca de 15 mil jovens e adolescentes de 313 escolas.

1996, a sexualidade foi incluída como Tema Transversal nos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental.

Em 2001,com o financiamento do programa nacional DST e AIDS do Ministério da Saúde, o Congresso Nacional lançou duas campanhas: a já citada Homossexualidade na escola: toda discriminação deve ser reprovada e Travesti e respeito: está na hora dos dois serem vistos juntos.

Campanha Travesti e Respeito: Já está na hora dos dois serem vistos juntos.Em casa. Na boate. Na escola. No trabalho. Na vida.

Governo Federal em parceria com o movimento social LGBT, em maio de 2004, lançou o Brasil Sem Homofobia (BSH) que tem como principal eixo o direito a educação. Junto a isso, o ministério da educação tambem comprometeu-se a implementar ações voltadas ao reconhecimento da diversidade sexual e exclusão do preconceito.

O Projeto Educação sem Homofobia insere-se dentro das diretrizes do Programa Brasil sem Homofobia (2004), programa nacional, no âmbito da Formação de Profissionais da Educação para a Promoção da Cultura de Reconhecimento da Diversidade Sexual e da Igualdade de Gênero.

Em 2005, o SECAD/MEC desenvolveu o projeto Formação de Profissionais da Educação para a cidadania e Diversidade Sexual que, através de cursos de formação e capacitação, promove posturas de respeito as diferenças. No mesmo ano, a SECAD/MEC  produziu o Caderno de Diversidades com um capitulo que aborda questões de gênero, identidade de gênero e orientação sexual.

A Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres da Presidência da Republica e do Conselho Britânico, em parceria com outras 5 instituições, desenvolveram o Curso Gênero e Diversidade na escola. O objetivo geral do curso, é formar educadores das redes publicas e educação básica nos temas de gênero, orientação sexual e relações étnico-raciais  Em 2006, foram formados 900 profissionais de educação das redes estaduais e municipais de algumas cidades brasileiras, atuantes da 5 a 8 serie do ensino fundamental.

GÊNERO E DIVERSIDADE: CURSO ON-LINE E GRATUITO

Filmes dirigidos:

CABARET PREVENÇÃO (1995)

Direção: Vagner de Almeida Produção ABIA (1995) Sistema VHS/NTSC e em DVD Duração: 20 min

Fruto da Oficina de Teatro Expressionista, desenvolvida pelo Projeto Homossexualidades, o vídeo registra o espetáculo que procurou levar para o palco, de maneira bem-humorada ao mesmo tempo que reflexiva, a realidade cotidiana homossexual e o impacto da epidemia da AIDS, através de textos escritos, encenados e produzidos pelos próprios participantes da Oficina.

RITOS E DITOS DE JOVENS GAYS (2002)

Direção: Vagner de Almeida Produção ABIA (2002) Sistema VHS/NTSC e em DVD Duração: 43 min

Ritos e Ditos de Jovens Gays nos oferece uma tela viva que desvenda a vivência do jovem homossexual em tempos de AIDS – o seu sofrimento e a sua alegria, as suas angústias e os seus sonhos. O vídeo fala com as palavras dos jovens, sobre as suas experiências e as suas vidas, e, acima de tudo, sobre a sua coragem em enfrentar com dignidade e honestidade uma sociedade tantas vezes injusta e opressiva. Este é um vídeo que precisa ser visto por jovens, sejam gays ou não, além de pais, educadores, assistentes sociais, e autoridades – enfim, por todos que se preocupam com a situação do jovem na sociedade brasileira contemporânea.

BORBOLETAS DA VIDA (2004)

Direção: Vagner de Almeida Produção ABIA (2004) Sistema VHS/NTSC e em DVD Duração: 38 min

O filme “Borboletas da Vida” desvenda a realidade dos jovens homossexuais que vivem na periferia das grandes cidades, sofrendo os efeitos da pobreza e da miséria, sem perder sua dignidade, sua criatividade… Homossexuais, transformistas, borboletas da vida real brasileira… eles/elas “carregam, a mulher na bolsa”, experimentam com as possibilidades e os limites do gênero e da sexualidade, e enfrentam a discriminação com força, coragem, e determinação… Lutam pelo direito de ser diferente e exigem, de diversas maneiras, que a sua diferença seja respeitada. Neste filme temos a “brava gente” que a televisão brasileira não nos mostra!

BASTA UM DIA (2006)

Direção: Vagner de Almeida Produção ABIA (2006) - Sistema VHS/NTSC e em DVD Duração: 55 min

O filme documentário “Basta um dia” aborda a vida de brasileiros e brasileiras que, entre a coragem e o medo, tentam, muitas vezes sem sucesso, sobreviver à dura realidade de violências impostas ao seu cotidiano. São travestis, homossexuais, bichas boys, monas, gays, enfim, habitantes da Baixada Fluminense que enfrentam o preconceito, a agressão física e a morte física e social nas margens da rodovia Presidente Dutra, principal ligação entre a duas maiores e mais ricas metrópoles do país, Rio de Janeiro e São Paulo.

SEXUALIDADE E CRIMES DE ÓDIO (2008)

Produção: Vagner de Almeida e Richard Parker Direção: Vagner De Almeida Duração: 27 minutos Legendas - Inglês Cor (NTSC) – Estereo - DVD Video Digital Brasil – 2008

Este documentário busca ser uma forma de protesto diante da extrema brutalidade cometida contra os homossexuais no Brasil. Crimes de ódio, oriundos de diferentes segmentos da sociedade. Para o diretor do filme, a igreja católica e os grupos evangélicos radicais são co-responsáveis pelo crescimento da intolerância ao lutarem contra os direitos civis das minorias sexuais. Em uma sociedade onde predominam  os valores machistas, religiosos e moralistas contra a comunidade GLBT, a ausência de direitos já levou a morte a milhares de cidadãos(ãs) brasileiros.

Desde que foram iniciadas as filmagens na região metropolitana do Rio de Janeiro, vários dos protagonistas dos filmes foram barbaramente assassinados por pessoas que ainda se encontram em liberdade, assassinando impunemente outras pessoas da comunidade homossexual.

No país, só nos primeiros meses de 2008 foram registrados 45 homicídios contra gays. Um ano de violência homofóbica preocupante, pois esses dados se referem apenas aos casos registrados nas delegacias de polícia e nos laudos dos hospitais. Muitas das vítimas sequer chegam a serem reconhecidas após a morte. São assassinadas simplesmente por serem gays, lésbicas ou transexuais. Um grito de basta à intolerância é o que pretende ser este filme, dedicado a todos(as) que foram cruelmente assassinados no Brasil e no mundo.

SOU MULHER, SOU BRASILEIRA, SOU LÉSBICA (2009)

Direção: Vagner De Almeida Produção: Prazeres e Paixão Duração: 45 minutos Cor (NTSC) – Estereo - DVD Video Digital Brasil – 2009

Documentário que trata da vida de mulheres brasileiras e seus enfrentamentos na sociedade lesbofóbica e racista. Mulheres essas, que ainda vivem a margem da sociedade e necessitam com muita força e coragem desvendar-se todos os dias. A força desse filme documentário está nas falas, nas vozes dessas mulheres – lindas, fortes, poderosas, honestas, guerreiras, mães, filhas, tias, avós, amantes, parceiras…  Elas mostram para todos nós, o que é ser lésbica no Brasil. Ensinam-nos a enfrentar a discriminação e os desafios que precisam encarar para construírem vidas dignas e corajosas em uma sociedade recheada de estigmas e intolerâncias.

Joana Cruz

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