MUITO NOS INTERESSA ESSA TAL DE CULTURA VISUAL

Produzo esse texto e me pergunto se não estaria esgotando algo que eu deveria deixar para o ensaio final do curso da disciplina. Mas não sejamos mais limitados do que já somos.

Ao longo do estudo realizado, e ainda em processo, a respeito da Cultura Visual, me invadiu a envergonha de não ter buscado conhecer o tema anteriormente, simplesmente por ser algo que eu já pensava e discutia com alguns colegas, devido uma série de questões que surgiram com o estudo das artes visuais.

Fazendo uma colocação um tanto desnecessária, a arte, da forma como ela é concebida por alguns, me parece uma personagem pedante e alienada. E essa antipatia assusta.

Lembrando de um comentário da monitora Carla, das aulas de STCHA, a respeito de arte versus cultura visual (aliás, essa rivalidade não existe). Com o perdão da inexatidão das palavras, o conteúdo do comentário foi mais ou menos esse: de os artistas fundamentalistas acreditarem que a Cultura Visual teria vindo para nos fazer enxergar a publicidade como uma manifestação artística, e eles vêem nisso um ultraje; porém isso é, de certo, ignorância por parte desses artistas, já que a cultura visual não tem e nem pretende ter esta função.

 A cultura visual visa avaliar todo o tipo de imagem participativa na sociedade. Lembrando que a arte não é sozinha a cultura visual, ela está dentro da cultura visual, tanto quanto a moda, a pichação, a publicidade, etc. A imagem do mundo.

 Desde pequenos, de acordo com a assimilação do que ocorre à nossa volta, das experiências visuais, nosso cérebro se modela, catalogando imagens e inferindo significados a elas.

 Portanto, toda a imagem produzida, vista ou imaginada tem uma função, e afeta a forma que compreendemos o mundo e nós mesmos. Dando seguimento a este pensamento, podemos dizer que imaginar, ver ou produzir imagem são tentativas e possibilidades de compreensão do mundo e de nós mesmos, em níveis, talvez, distintos. Ou seja, estamos lidando com uma questão importantíssima de nossa identidade social e individual.

Discutindo algum aspecto de nossa cultura visual para se fazer entendida:

 A publicidade, televisão, revistas de moda, revistas masculinas, entre outras, mostram uma mulher de imagem específica, as premiadas são as magras de curvas generosas, explicitadoras do papel mulher-objeto.

 Os programas televisivos de domingo apresentam situações de representação social – quando sim, apenas uma de várias mulheres em palco tem opinião e voz, e observem bem que mulher é essa, no exemplo do programa da Rede TV!, Pânico na TV.

Não sou feminista, entretanto, sofri de discriminação desde a 4ª série do ensino fundamental, até o segundo ano do ensino médio – quando estudei a respeito para tentar entender os motivos do meu sofrimento –, devido esta imagem da mulher sexualmente bem atribuída, amplamente popularizada por várias mídias, à qual eu não correspondia.

 Citei um exemplo prático e simplista de algo que ocorre não apenas com as mulheres nos dias de hoje. Ocorreu ao longo de toda a história, e os alvos variam dependente dos padrões normativos estabelecido em cada época para o que é ser bonito/a, atraente, bem-sucedido/a, interessante, inteligente, rico/a, enfim, tudo o que é normalmente almejado. E essas imagens são assimiladas e catalogadas ao longo da nossa vida como exemplos a serem seguidos, pois são ícones que experimentamos junto a sorrisos, satisfação sexual, intelectual, familiar, entre outros gozos idealizados.

 Pessoas que não conseguem moldar-se, em nenhum aspecto, a estes padrões, podem buscar algum amparo em mídias subversivas, de conteúdo literário e imagético não-normativo, bem difundido através dos quadrinhos e do cinema. E este setor também traduz cultura visual, o que geralmente ocorre é a inversão de papéis entre o normativo e o não-normativo em situações diversas.

 Tentarei apontar algumas obras das quais gosto muito e que acredito serem exemplos de representação do que viria a ser queer ou, em algum nível, subversivo e de cultura visual questionadora, então:

– O que viria a ser a Cultura Visual Queer? Vamos debater?

Elisa F. Lovo.

Esse post foi publicado em Visual Culture e marcado , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s