A Psicologia do Preconceito e da Transfobia

Em 2009 198 pessoas queers foram mortos em atos homofóbicos no Brasil – dentre as pessoas trans assassinados no ano passado, 117 eram gays, 72, travestis, e nove, lésbicas, de acordo com um relatório do Grupo Gay de Bahia (GGB).  De 1980 a 2008, foram mortos 3,196 pessoas trans.  (link)

Em 20 de Julho de 2010 em Campinas SP, a jovem Camille Gerin, de 25 anos, foi agredida brutalmente a pauladas e morreu – vítima de um ato de transfobia.

O que causam pessoas a cometerem esses atos de transfobia?

Para explicar os processos que levam nossa população a cometer esses crimes eu me refiro ao trabalho extenso do psicologista social Elliot Aronson, da Universidade da Califórnia nos Estados Unidos.

A psicologia social estuda situações em que a influencia social toma o palco principal.  Ela explica que pessoas que cometem atos malucos não são necessariamente malucos (a primeira lei de Aronson).

É muito mais fácil atribuir tais atos à loucura – o homem que matou Camille Gerin é louco?  E se ele não é louco, então o que fez ele matar esta garota que não cometeu crime nenhum?

Aronson explica que as pessoas não gostam de ver ou ouvir coisas que conflitam com suas mais profundas crenças ou desejos.

Como um exemplo de crenças eu me refiro à religião no Brasil, que abomina a sexualidade trans completamente.

O que ponto que eu quero fazer é que existe um processo de pensamento que existe não só na nossa sociedade, mas no mundo em geral que faz pessoas normais a cometerem atos abomináveis.

Uma pessoa normal não mataria uma outra pessoa – pois tal ato cria o que a psicologia social chama de dissonância – que nós podemos caracterizar como um sentimento ruim de ter feito algo mau.

O homem que matou Camille não se sentiu mau ao matá-la pois para matála ele teve que pensar nela não como um ser humano, mas como um abjeto.

Aronson se refere a isso como o processo de desumanização.  Quando você desumaniza uma pessoa você cria uma justificativa pra cometer esses atos abomináveis – e por esse processo você elimina a dissonância associada a esse ato.

Quer dizer, uma pessoa normal, como você ou eu, pode passar por esse processo de pensamento que deshumaniza uma outra pessoa, que faz com que cometer um crime (ou mais tipicamente, fazer ou pensar coisas ruins) contra outa pessoa seja algo justificável e até correto, no pensamento dessa pessoa.

O conhecimento desses processos de transfobia e preconceito, se entendidos e disseminados à população geral,  é crucial para combater esse tipo de crime.

Então sabemos que existe um processo de pensamento que pode levar uma pessoa normal a cometer um crime de transfobia.  Mas o que leva uma pessoa a ser transfóbica?

A transfobia é um tipo de preconceito, e a psicologia social explica que o preconceito é uma atitude hostil ou negativa para com um grupo distinguível de pessoas baseado em generalizações formadas por informações falhas ou incompletas.

O preconceito então provem diretamente de nossos estereótipos, que é fruto da natureza humana de classificar e simplificar as coisas.  Em vez de pensar em pessoas trans como indivíduos com personalidades diferentes nós naturalmente classificamos essas pessoas trans de acordo com um estereótipo que diminui estas pessoas à apenas alguns adjetivos que são frequentemente derrogatórios.

Uma vez que uma pessoa é altamente preconceituosa contra um certo grupo de pessoas ela é virtualmente imune a informações que mudem o seu querido estereótipo.

Talvez a pior das soluções já propostas para resolver estes problemas de preconceito é a segregação de pessoas trans para escolas diferentes.  A segregação serve para reinforçar o preconceito e elimina a possibilidade de convivência com essas pessoas trans, e com isso, também elimina a possibilidade de aprender a eliminar este preconceito por convivência.

Aronson explica que a convivência na escola é um dos passos para eliminar o preconceito – mas que o mais importante é o que ocorre durante esta convivência.

As escolas são altamente competitivas e esta competividade apenas serve para aumentar problemas de preconceito por criar hostilidade entre alunos e entre grupos.

A solução, de acordo com Aronson, é a interdependência mutual – se a escola mudar seu paradigma competitivo para um paradigma cooperativo, o preconceito é eliminado, pois os alunos da escola começarão a ver estas pessoas trans como pessoas individuais em vez de um estereótipo derrogatório associado a elas.

Aronson concretamente demonstra esta solução em seu experimento de psicologia social em uma escola.

É nosso papel como futuros educadores e cidadãos de nosso país aprendermos estas técnicas de interdependência mutual e aplicá-las em nossas escolas para eliminar o preconceito não só contra pessoas trans, mas contra todas as minoridades de nossa sociedade.

SMB

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2 respostas para A Psicologia do Preconceito e da Transfobia

  1. bields84 disse:

    Belo blog sobre psicologia!

    Frequentarei aqui mais vezes!

    Esse post realmente tem a ver com o que eu procuro sobre psicologia!

    se quiser que eu publique algo de sua autoria, é só falar que eu coloco no meu blog com sua identificação e endereço do blog!

    da uma olhada no http://psicologiaparatodos.16mb.com

    abraços!

  2. bields84 disse:

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    se quiser que eu publique algo de sua autoria, é só falar que eu coloco no meu blog com sua identificação e endereço do blog!

    da uma olhada no
    http://psicologiaparatodos.orgfree.com/blogpsicologia

    (troquei o endereço, o antigo já era)

    quem sabe podemos trocar links!

    abraços*

    Gabriel

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