Thammy Gretchen e a namorada na capa da Premium

Em raros momentos da da história da pornografia impressa brasileira, uma editora de revista pornô colocou na capa um casal de lésbicas publicamente assumidas: Thammy Gretchen e sua namorada Julia Paes. A novidade, vista pelo mercado pornográfico como bastante moderno e democrático, aconteceu na edição de maio da Revista Sexy Premium, em 2007.

Esta foi a terceira vez que Thammy posa para a revista Sexy – a primeira foi em outubro de 2001, depois em fevereiro de 2003 e a última em 2007 assumindo trajes menos femininos e mais masculinizados. As poses podem até mexer com a imaginação dos homens. Mas em momento algum mexeram com a minha.

Papéis de gênero

Alguns pontos são interessantes de serem apontados como os papeis de gênero que o casal estabelece nas imagens e as conseqüências disso aos olhos do público. O ensaio reforça ainda mais o pensamento machista de que a existência do casal lésbico é útil para dar prazer ao homem heterossexual. Mesmo com todos os avanços e conquistas dos movimentos feministas para avançar os direitos da mulher, ainda é presente as relações de poder mesmo entre casais gays ou lésbicas.

O ensaio se estabelece a partir de uma relação de hierarquia em que Thammy ocupa o papel da pessoa que nos mostra, permite ver sua namorada: Thammy Gretchen orgulhosamente apresenta: Júlia Paes, enuncia o título da capa cuja mensagem é bastante simbólico de que é ela quem vai nos conduzir às imagens e estabelecer o papel ativo durante todo o ensaio. Fora desta relação, o contrário não seria possível.

No entanto, essa estratégia de “modernização” da revista foi um tiro no pé porque nem mesmo o público da revista – no caso, os homens heterossexuais – apoiaram a proposta do ensaio e se sentiram ofendidos com a existência de uma mulher masculinizada, fora das normas daquilo que se espera de uma mulher, e ainda em posições eróticas com outra mulher.

Parece que houve, por parte do público masculino, um certo medo de possível perda do espaço com a existência de uma certa “masculinidade de mulheres”. É interessante ressaltar que se trata de mulheres que incorporam performances tidas masculinas no seu cotidiano, mas que em momento algum pretendem se tornar um homem.

Mais do que incômodos, este ensaio levanta muitas perguntas que se relacionam o cotidiano. Qual problema de um homem heterossexual se deixar admirar por uma mulher com trejeitos masculinos? Essas mulheres que sentem-se mais confortáveis com estilos e identidades genericamente masculinas, não estão páreas para aparecer numa revista pornô como principal símbolo de sedução?

Pink Money

A utilização de personagens

lésbicos em produtos pornôs não é novidade pra ninguém. Mas o que chama atenção na iniciativa deste ensaio é a utilização de um casal assumido publicamente como homossexual, tanto em sua prática como na identidade. E em certa medida é importante perceber e refletir sobre esta aparição de personagens gays/lésbicos e de que forma, por que e como são representados. Ainda mais numa capa, local nobre de qualquer meio impresso.

Por isso levanto possíveis hipóteses da escolha de pessoas assumidas publicamente como lésbicas, numa revista voltada ao público de sexo masculino e heterossexual:

– Pink Money: fenômeno econômico iniciado em meados dos anos 80 quando o mercado admite a existência de gays e lésbicas como consumidores ativos. O argumento mais utilizado é de que “homossexuais não podem ter filhos e por isso gastam o dinheiro com cultura e viagens.” A partir daí, este público se torna um nicho de mercado bastante visado pelas empresas. Mesmo que a Sexy Premium seja uma revista voltada para o público masculino heterossexual, o ensaio de fotos da Thammy com sua namorada seria uma estratégia de atrair o público lésbico.

– Modernização e consciência social: o aparecimento de grupos organizados voltados ao combate da homofobia tem um peso muito forte na auto-estima de indivíduos que assumem sua prática homoerótica/homoafetiva. Na esfera pública, a atuação desses grupos também sofre influência nas decisões políticas e não podem mais ser ignoradas.

Me atrevo a afirmar que a expressividade de um grupo que age fora da heterormatividade passou a ser tão grande que o campo empresarial se apoderou desta bandeira: é legal ser homossexual. É legal ser politicamente correto. É bastante moderno usar um casal de lésbicas na capa de uma revista.

Como a mídia é apenas uma parte da representação do pensamento da sociedade, o que ela nos mostrar é que a homossexualidade é mostrada de maneira dúbia: hora como vítimas, pessoas que não possuem todos os seus direitos assegurados; e outra hora como pessoas ricas, com forte poder aquisitivo.

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Alexandra Martins

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7 respostas para Thammy Gretchen e a namorada na capa da Premium

  1. anonymous disse:

    baicheza!

  2. Kyara Almeida disse:

    Excelente post! Infelizmente a heteronormatividade ainda assume um papel tão preponderante que as performances fora deste modelo tem pouco espaço de visibilidade e existência, mesmo aquelas que rompem com ele de alguma forma (lesbiandade, por exemplo), muitas vezes são solapadas pelas garras do binário heterocentrista.

  3. itala disse:

    nossa que fotos descaradas por riso e que eu aimdo comtinuo ti amamdo gata

  4. maria disse:

    adorei as fotos

  5. estella disse:

    amei as fotos !!!!
    as duas sao lindas….

  6. Márcia disse:

    adorei as fotos são belas as duas são lindas e por sinal minha esposa tb e feminina e parece com a tamy rsrs previlegio meu.

  7. mara rejane disse:

    Ameiii as fotos .. muiitos llindas …. eu tabm kurto mulheres e assumo e ñ tenho vergonha

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