Para além do desejo comercial – Propostas de Pornografia Feminista

A visita de Anna Amélia de Faria, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), na aula de desta semana deu muito pano pra manga pra pensar em gênero e visualidades que destoam de uma produção binária como obras de Orlan e a proposta do STCHA Carnal Art. Diante dessa apresentação, as únicas palavras que me apareciam na cabeça foram: autonomia do corpo. Daí pode-se pensar em como a independência e autodeterminação pelo próprio corpo podem influenciar na produção visual e no questionamento do lugar de poder.

Ao comentar sobre o Manifesto Cyborg, logo me lembrei de uma Teoría queer feminista post pornográfica de um grupo de Barcelona chamada Girls Who Porno cujo objetivo é produzir uma pornografia fora das convenções e premissas presentes nos filmes conhecidos no pornô mainstream. São iniciativas de pessoas que pensam e produzem esse tema a partir das próprias representações de sexo e gênero onde na maioria das vezes não é possível encontrar no campo comercial. Talvez a única maneira de dar conta da diversidade de nossos desejos, seja nossa própria produção de referenciais pornográficos. No site também é possível encontrar outras criações como PornLab, PornoTerrorismo e Cronika. e The Fashion Body.

Outro grupo que tem ganhado um certo destaque nas produções independentes de uma pornografia anti-comercial é o Dirty Diaries, da Suécia. Na verdade, se trata de uma obra auto-intitulado pel@s seus criador@s e realizador@s como sendo um filme “pornográfico feminista”.

Ao todo, são doze filmes pornográficos numa compilação de curta duração. São obras que procura concretizar uma via de politização da pornografia, a qual passa a ser utilizada como meio de mostrar e buscar a libertação feminina frente aos padrões estéticos dominantes na indústria pornográfica.

Das imagens (d)a cama

Dois corpos indefinidos e completamente cobertos que se beijam numa cama. Uma sucessão de imagens – dildo azul, pêssegos, centro de um tronco de árvore, miolo de uma rosa, um ânus.

Um homem e uma mulher numa cama (ou apenas uma mulher, seu dildo e suas fantasias?).

Animação gráfica, duas mulheres, uma mesa de sinuca, um voyeur.

Uma mulher, um site, um telefonema, um homem. Bico de um seio, praia, gemidos.

Dez mulheres, cinco lutas em cinco camas.

Duas mulheres, um telefone, palavras e gemidos.

Dildo marrom, três mãos que se movem, vozes.

Diferentes lugares, uma mulher que se exibe. Uma mulher, um/uma policial, jogo, punir e ser punido.

Uma mulher idosa, suas fantasias, três mulheres (ou três homens vestidos de mulheres?).

As temáticas abordadas nos curtas são diversas, mas todas parecem guardar um ponto em comum: buscam quebrar com os modelos e convenções – de filmagem, de posições sexuais, de personagens, de corpos, de performatividade.

Alexandra Martins

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