Olhar Drag Queen

A primeira é repórter-fotográfica, o segundo é fotógrafo-artista. A primeira é de São Paulo, o segundo é de Belém. Uma tem formação em Jornalismo, o segundo em Arte Contemporânea.

Ela realizou um ensaio fotográfico sobre drag queens. Ele também.

Amanda Perobelli e Orlando Maneschy mostram duas visões diferentes sobre um mesmo tema dentro das imensas possibilidades que a fotografia permite como ferramenta visual. É importante ressaltar que não se trata de uma comparação entre essas duas linguagens. Mas de mostrar que, mesmo ocupando diferentes status, essas imagens mediam significados e costumes.

Rainhas e Dragões, Amanda Perobelli

Provar que o universo das drag queens é mais do que o mostrado na Parada Gay de São Paulo, todos os anos. Com esta motivação principal, a fotógrafa Amanda Perobelli produziu cerca de 50 fotos. Realizado durante sete meses em 2006, o ensaio mostra “Rainhas e Dragões” foi construído a partir de visitas às casas de drag queens, boates, clubes noturnos, festas, entrevistas e performances, além da própria parada gay paulistana. “A intenção era fazer uma imersão a algum ‘universo’ que eu não conhecia e que não faz parte do meu dia-a-dia”, conta Perobelli em entrevista ao UOL. “Outro motivo para escolher esse tema foi porque geralmente as drag queens só ‘aparecem’ em época de Parada Gay e o assunto tem poucas publicações a respeito”, explica.

Drag Queens na Amazônia, Babeth Taylor. Pará, 1996

A imagem à cima faz parte do projeto Noite na Amazônia, de Orlando Maneschy. O ensaio consiste em fotos de drag queern, transformistas e amigos: os artistas performáticos da noite neón do bas-fonds de Belém. A preparação para os espetáculos de dublagem, desfiles e reinterpretações de cenas de filmes. A noite do glitter paupérie e suas transmusas nos camarins, marlenedietriches, marilyns, bettes, madonnas, misses do brasil na broduèi-marginália.

Manescy intimizou o relacionamento pessoal com seus personagens e, sem intenção de produzir registros documentais, ou mesmo qualquer estudo de antropologia urbana, realizou o ensaio. Para o artista, “a fotografia tem algo de forte que é o de revelar e desvendar. Para minha surpresa descobri nesse trabalho coisas que não vi nem pretendi a princípio. Foi assim que esse trabalho aconteceu.”

O artista captura a encenação na noite real, o gesto, a intervenção das rainhas-dragão, os anjos verdes, com inesperados resultados cênicos. Sem maiores pretensões, estimulado pela busca de cor, surpreendeu-se com a construção de uma memória inexistente. Transposição do fetiche do desejo do outro, nas noite felinas

Fonte: Itaú Cultural

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