Fun Home – Família Queer

Fun Home – Uma Tragédia em Família é uma história autobiográfica de Alison Bechdel sobre a relação com seu pai Bruce, professor de inglês, aficionado por decoração ao ponto de dar mais atenção à reforma da casa do que aos filhos. E é partir deste distanciamento que começa o primeiro conflito da personagem-autora com seu pai: a diferença de comportamento. Enquanto Alison é mais desbocada, o pai é um homem clássico, vitoriano. E o segundo conflito: a diferença que ambos representam ao lidar com as sexualidades.

Durante toda narrativa de Fun Home, a autora mostrar a conexão entre Alison, seu pai e suas sexualidades. Enquanto a autora-personagem prefere revelar-se ao mundo, Bruce opta por outra maneira de viver a sexualidade. É interessante observar que Alison apenas toma conhecimento dos caminhos pelo qual seu pai transitou na medida em que ela vai se revelando. Num dado momento da história, ela descobre que o pai mantêm relações com homens quando conta para mãe que ela também se relaciona com pessoas do mesmo sexo. Os personagens vão reconstruindo as identidades a partir das experiências, sentimentos e estranhamentos com a instituições que temem enquadrá-los na norma.

Sair do armário: um ato (anti)heróico

A narrativa vai legitimando essa relação de “esconder para descobrir” e “descobrir para se esconder” que se relaciona bom o processo de sair do armário, de assumir-se dentro de uma sociedade conservadora. Sair do armário, para além de assumir a homossexualidade, é revelar as limitações que as famílias têm em lidar com esse tema. Daí porque a família, em grande parte das vezes, acaba sendo o último local de revelação.

O período em que Bruce ficou sabendo que a filha era lésbica foi o mais próximo entre os dois, no qual ele pôde confessar à filha suas experiências. No último capítulo, Bechdel define o pai como um anti herói, baseada em algo que ele havia escrito para ela quando esta revelou sua orientação sexual : “Tomar partido é um tanto quanto heróico, e eu não sou um herói” Trecho retirado do blog.

À luz das leituras em sala de aula, alguns temas podem ser pontuados, como: a descoberta da personagem em relação à homossexualidade; representações e impressões da autora-personagem com a identidade butch; inversão dos papeis de gênero ao longo da narrativa.

Curiosidade

Durante sete anos, Bechdel trabalhou arduamente no projeto de seu álbum, revisitando seus antigos diários (alguns escritos em um período de transtorno obsessivo compulsivo), utilizando fotos de álbuns de família como referência para seus desenhos, confeccionando mapas geográficos para entendermos melhor a história, reproduzindo capas de jornais e cartas à mão e, acima de tudo, demonstrando uma empatia comovente para com a figura controversa de seu pai.

Download de Fun Home

Alexandra Martins

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Uma resposta para Fun Home – Família Queer

  1. Nóia disse:

    esqueceu de falar que antes de tudo, essa é uma história sobre família

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