Carlos Augusto Peixoto Junior: Sexualidades e modos de vida

Carlos Augusto Peixoto é psicólogo, psicanalista e doutor em saúde coletiva pelo Instituto de Medicina Social. Em seu artigo “Sexualidade e modos de vida” chama a atenção para a tolerância das diferenças cada vez mais próximas. Coloca que mais que aceitar que as diferenças existem é preciso de fato compreende-las para assim respeitá-las. Isto não significa dizer que precisa haver um comum acordo, mas sim que para o respeito mutuo é preciso ir além da superficialidade e realmente procurar entender a lógica que se estabelece.

            Coloca ainda a relação da norma com individuo, diz que as mesmas são necessárias, contudo não podem ser estanques, que não possibilitem a liberdade de mudança. Assim não há outra forma de se colocar uma regra vinda de cima, mas sim aquela que é estabelecida em um contexto cultural próprio.

            Essas questões podem dialogar com a visão de antropólogos em relação à manifestação cultural e relação da sociedade com a mesma, por exemplo no capítulo “A cultura condiciona a visão de mundo do homem” do livro “cultura um conceito antropológico” do Roque Laraia:

“A nossa herança cultural, desenvolvida através de inúmeras gerações, sempre nos condicionou a reagir depreciativamente em relação ao comportamento daqueles que agem fora dos padrões aceitos pela maioria da comunidade. Por isto, discriminamos o comportamento desviante. Até recentemente, por exemplo, o homossexual corria o risco de agressões quando era identificado numa via pública e ainda é objeto de termos depreciativos. Tal fato representa um tipo de comportamento padronizado por um sistema cultural. Esta atitude varia em outras culturas. Entre algumas tribos das planícies norte-americanas, o homossexual era visto como um ser dotado de propriedades mágicas capaz de servir de mediador entre o mundo social e o sobrenatural, e portanto respeitado. Um outro exemplo de atitude diferente de comportamento desviante encontramos entre alguns povos da antiguidade, onde a prostituição não constituía um fato anômalo: jovens da Lícia praticavam relações sexuais em troca de moedas de ouro, a fim de acumular um dote para o casamento.”

            Assim fica claro a subjetividade das relações culturais e temporais, desse modo é preciso perceber que mais importante que aceitar a diversidade de valores e atitudes é necessário tolerá-las e espantá-las, todavia sem que haja uma subjetividade massificada, como coloca o autor.

Simone Rosa 

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