ANDROGYNUS DULCIS

-por Daiara Figueroa.
do livro

Androgynus Dulcis é uma produção de desenhos em lápis de cor e aquarela compilada em um livro de artista de 310 páginas. Neste livro exploro meu fascínio pelas estruturas do corpo humano, e o estudo de desenho de anatomia que estão na origem de minha pesquisa à procura das imagens do andrógino e do hermafrodita assim da arte erótica. As referências anatômicas usadas para a mescla de aspectos típicos dos dois sexos em um único corpo, e poses dotadas de certa voluptuosidade procuram a erotização transgênero da figura Humana explorando suas sexualidades possíveis, usando ou desligando-se delas.
do livro

Androgynus Dulcis representa unicamente figuras de corpo nu, a série de desenhos foi produzida tanto em aulas de modelo vivo como em poses particulares: corpos de modelos nus, de modelos vestidos, de modelos fotografados e de modelos imaginários.
Assim como Klimt, que deixava seus modelos circular livremente em seu ateliê, meus modelos podem se dividir por várias etapas de relacionamento: aqueles que estavam posando em sala de aula, e que por não conhecer meu trabalho ofereceram sua imagem de maneira distante; aqueles que também estavam posando em sala de aula, mas que por conhecer meu foco de estudo fizeram questão de oferecer alguma pose que eles entendiam como relacionada ao meu trabalho; amigos que se ofereceram ou aceitaram posar em poses particulares depois de ver meus desenhos, aqueles que mesmo a distância ofereceram imagens de seu corpo para serem desenhados, e finalmente pessoas mais próximas que compartilharam sua intimidade de diversas maneiras com o principal intuito de ajudar em minha produção.
Gradualmente cada uma destas pessoas permitiu o mergulho no estudo e apreciação do desenho de nu, e do erotismo: passando de um olhar de desenhista clínico e impessoal para um ângulo de voyeur influenciado pelo desejo e pelo prazer. A experiência mais intensa de voyeurismo é ironicamente a dos desenhos de modelos vestidos que de maneira geral ficaram em posições que recusariam nus: poses mais abertas com a genitália exposta em que me coube desvendar seu corpo através da roupa, ato apenas possível graças aos meus conhecimentos de anatomia. Os modelos vestidos se entregaram em poses mais abertas ou desconfortáveis talvez por se sentirem protegidos de um olhar demasiado detalhista, no entanto seu entendimento de minha pessoa como desenhista e como pretensa artista nos permitiu um diálogo muito aberto.
do livro
Mais uma etapa de pesquisa, produção e descoberta foi o auto-retrato nu. “No culto contemporâneo da exibição é o corpo ‘próprio’ que se torna a expressão da obscenidade… o corpo exibido se considera corpo estranho e estrangeiro enquanto só produz a aparência do duplo” (JEUDI, 1998, PP. 127-128). A exploração e a revelação de meu próprio corpo constituem uma terceira experiência erótica em que procuro anular o distanciamento de minha existência da dos meus desenhos. O auto-retrato não procura apenas mostrar meu físico, mas sua alteridade em minhas vivências sexuais, como por exemplo, a masturbação ou a maternidade. Minha apologia a vida se faz assim através da minha própria existência: os desenhos de minha androginia imaginária maximizam minhas experiências de masculino e feminino à procura de um gozo maior por meio da expressão artística.
do livro

meu flickr:

http://www.flickr.com/photos/daiara/sets/72157622819658074/

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