SOBRE OS VIAJANTES PÓS-MODERNOS

– Por Tauana Macedo

No texto “Viajantes pós –modernos” de Guacira Lopes Louro, a autora faz uma comparação entre protagonistas de filmes de estrada (Road movies) com os sujeitos contemporâneos, já que somos difusos, fragmentados, e mais preocupados com os percursos que um destino final. A idéia de transitoriedade dessa viagem é o ponto chave que vai levar à exposição das fronteiras do conjunto sexo, gênero e sexualidade e suas transgressões.

A norma que dita as regras  também aponta como transgredi-la, o que quer dizer que quanto mais específica é essa norma, mais formas de subvertê-la surgem e, possivelmente, mais pessoas que se encontram fora, ou dentro e fora, ou algumas vezes dentro e outras fora dessas regras. O esquema macho-homem-se relaciona com mulheres/fêmea-mulher-se relaciona com homens, por ser inflexível e limitado, não dá conta da diversidade, fluidez e fragmentação das pessoas pós-modernas.

A autora chama a atenção para o fato de algumas transgressões reforçarem a norma, e o que me vem imediatamente a cabeça é a divisão butch/femme (algo como masculina e feminina)que algumas mulheres lésbicas fazem de si mesmas, muitas vezes apostando na combinação de uma butch com uma femme, que no fim das contas reproduz os papéis e a aparência de um casal heteronormativo.

O espaço da fronteira é colocado como altamente subversivo pelos encontros e confrontos que propicia. O filme XXY, que conta a história de Alex, uma intersexo adolescente lidando com descobertas sexuais, desejos, preconceitos e incertezas, traz á tona essa fronteira, que é o espaço ocupado por Alex. Sua transitoriedade entre feminino, masculino e outra coisa que não é nenhuma dessas duas perpassa todo o filme.  Em uma determinada cena o pai diz que ela tem a escolha, que pode ser homem ou mulher, e ela responde perguntando se precisaria haver uma escolha.

No vídeo Cremaster 4, de Mathew Barney, três personagens figuram em diferentes situações com gestos e  aparências pouco definidoras em termos de sexo e gênero. Elas, assim como Alex, habitam a fronteira e deixam curiosos/as aqueles/as que as vêem. A pergunta “Mas afinal de contas, ele/a é o quê?” me surgiu na cabeça algumas vezes, evidenciando a dificuldade que é lidar ou simplesmente olhar para alguém tão fora dos padrões, e o quão transgressora e política é a existência dessa pessoa ou personagem.

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