JANE ELLIOT E O PRECONCEITO RACIAL E DE GÊNERO

Texto retirado do site: http://seupensamento.blogspot.com/2008/06/olhos-azuis-jane-elliot-uma-aula-sobre.html (com adaptações)

Desde 1968, quando ganhou um Emmy pelo documentário “The Eye of the Storm”, a educadora americana Jane Elliot dedica-se à realização de workshops onde ela aplica um exercício de um dia de discriminação a um grupo de pessoas. O documentário – Olhos Azuis – conta a experiência de um desses workshops.

O workshop funciona da seguinte maneira:
Os participantes são expostos a um exercício de discriminação baseado na cor dos seus olhos. Os participantes de olhos azuis são marcados com um colar e são identificados como o grupo inferior. Todos os estereótipos negativos que geralmente são aplicados a mulheres, negros, homossexuais… por homens e pessoas brancas são aplicados a eles. Os que não possuem olhos azuis são designados como superiores e são incentivados a discriminar fortemente os “outros”, chamados de forma depreciativa de “olhinhos azuis”.

Durante o período de discriminação, os olhos azuis são severamente criticados, xingados, tratados como inferiores, e tudo é atribuído somente à cor dos seus olhos. Frases do tipo: “isso só podia vir de um olho azul mesmo”, ou “seu olhinho azul” (dita com total desprezo) são proferidos em vários momentos pela instrutora e pelos participantes marcados como superiores. Os olhos azuis são obrigados a esperar um longo tempo em uma sala quente, sem comida, enquanto espera o início do workshop. Tudo isso para fazê-los se sentir realmente seres inferiores.

É muito impressionante ver o efeito da discriminação sobre o humor, auto-estima, auto-confiança e astral dos participantes, como eles estavam ao início e como eles ficaram ao final. Muitos choram. Pedem que ela pare de tratá-los daquela maneira. E o mais interessante é que as vítimas de discriminação aqui são pessoas que fazem parte do grupo dominante na vida real e, portanto, estão acostumadas a discriminar e nunca a serem discriminadas.

Muitos questionam o método classificando-o como “cruel” e “desumano” (especialmente porque ela o aplica freqüentemente em crianças da escola em que ela ensina). A professora já tem a resposta na ponta da língua e leva o espectador a refletir: se um dia, um único dia de discriminação causa tamanho efeito em uma pessoa, o que dizer de uma vida inteira cercada pelo preconceito? Como uma criança que é discriminada desde o momento do seu nascimento pode competir em igualdade com outra que é estimulada, amada e incentivada? Isso não é cruel? Não é totalmente desumano?

Um filme incrível, imperdível, para assistir com calma, refletindo sobre o que ocorre na tela, mas principalmente sobre nossas ações no dia a dia… Será que muitas vezes não agimos como os “olhos marrons” sobre pessoas “de olhos azuis” por aí?

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