CINDY SHERMAN

– Por Luiza Mader

O corpo como suporte. A partir dessa referência a fotógrafa norte-americana Cindy Sherman explora seu próprio corpo, inserindo elementos performáticos de maneira exímia, como uma atriz original e inventiva. Por meio de distintos enquadramentos, o corpo estranho e distorcido encarna os múltiplos personagens de Cindy. É a própria artista que encena todos os personagens, desempenhando vários papéis num impressionante leque de transformações. Usando apenas maquiagem, roupas, perucas e acessórios ela consegue parecer vulnerável, sensual, desajeitada, arrumada, desleixada, magra, gorda, infantil, sensual, vulgar – todos os tipos de mulher. Sobre fundos externos, a própria artista prepara o cenário e faz os registros fotográficos.

 

The Untitled Film Stills 

Muitos trabalhos, desde a década de oitenta, foram mal interpretados por vários estudantes de arte politizados, de ambos sexos, que acusaram-na de prejudicar a causa feminista retratando mulheres em posições vulneráveis. “Sem dúvida eu estava tentando provocar com essas figuras. Mas era mais provocar os homens a reavaliar seus pressupostos quando olham figuras de mulheres. Estava pensando em vulnerabilidade de uma forma que causasse desconforto em um espectador masculino – como ver a própria filha em posição vulnerável. Mas o formato horizontal era um problema. Encher aquele espaço significava usar algum tipo de figura deitada, e algumas pessoas acabaram achando que eu glorificava as vítimas ou coisas assim… Não tinha nada a ver com violação, mesmo que muita gente tenha visto assim. Mais tarde entendi que devo aceitar que sempre haverá esse leque de interpretações que não posso controlar, e nem quero, pois é o que torna a coisa interessante para mim”. [1]Isso não impediu que algumas feministas radicais a incensassem como seu santo graal.

Levantando questões desafiadoras sobre o papel e representação da mulher na sociedade, mídia e arte, Sherman não considera seu trabalho feminista, embora suas imagens chamem atenção para o estereótipo reforçado da mulher em filmes, revistas e TV e todas as questões do poder simbólico que o tema circunda.

 

The Untitled Film Stills 

 

A ironia e o paradoxo entre o horror, a repulsa e o humor são elementos abordados na série Sex Pictures. A artista queria fazer quadros sexualmente explícitos, de nudez real, mas não estava interessada em ficar nua. A partir de um catálogo de compras de utensílios médicos, criou esses bonecos de gêneros variados.

Sex Pictures


[1] TOMKINS, Calvin. As vidas dos artistas. Tradução: Denise Bottmann. São Paulo: Editora Bei, 2009. p. 75,76.

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