BEIJAÇO NA UNB

Beijaço termina com ameaça de espancamento


Protesto que reuniu 300 pessoas na UnB contra o preconceito sexual teve
conflito com defensores do orgulho hetero
João Campos <camposjo@gmail.com> – Da Secretaria de Comunicação da UnB

<http://www.unb.br/noticias/adm/adm/foto/solicitarFoto.php?id=53643>Conflito
não impediu a passeata, que saiu do Ceubinho, passou na Faculdade de
Tecnologia e terminou na Reitoria.

Bandeiras coloridas, faixas de protesto e beijos. Muitos beijos. Eles com
eles e elas com elas. Cerca de 300 pessoas participaram do ato contra a
homofobia na UnB, nesta quinta-feira, 27 de maio. O “beijaço”, que tem o
objetivo de acabar com o preconceito não só na universidade, mas em toda
sociedade, acabou marcado pelo bate boca com um grupo favorável ao “orgulho
hetero”. Uma jovem afirmou que foi ameaçada de espancamento. Manifestantes
procuraram a 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte) para registrar queixa, mas
não conseguiram por causa de greve dos policiais civis.

O protesto começou por volta do meio dia, quando a multidão se concentrou no
Ceubinho. Ali mesmo, enquanto produziam faixas e improvisavam instrumentos
musicais, casais homossexuais usaram o beijo não só como uma forma de afeto,
mas como um ato político. “Queremos o direito de nos beijar em qualquer dia
e lugar. Com amor, sem amor, com tesão ou sem tesão. Existem outras formas
de amor”, disse, Guaia Martino, estudante de Serviço Social.

O clima de festa foi quebrado quando um grupo com cerca de cinco pessoas
chegou com um cartaz escrito “Orgulho Hetero”. Dois deles tinham a cabeça
raspada, a pele branca, vestiam coturnos e tinham tatuagens no braço, visual
típico dos *skinheads* – grupo que tem, em uma de suas subdivisões, o
preconceito contra homossexuais e negros, geralmente inspirado em ideologias
como o nazismo alemão. Houve bate boca entre os manifestantes.  “Não sou
contra os homossexuais, sou a favor dos heterossexuais”, disse o estudante
de Estatística Rafael L..

Do Ceubinho, os manifestantes subiram para a Faculdade de Tecnologia. “Os
cursos que usam o trote para fazer apologia ao machismo e o preconceito se
concentram aqui. A universidade não aceita a homofobia”, afirmou Luiza
Oliveira, estudante de Ciências Sociais. No lugar o grupo pregou adesivos
coloridos na porta dos centros acadêmicos. “É errado generalizar que todos
aqui são preconceituosos. O trote é uma brincadeira”, argumentou o aluno
Lohan Arrais, da Engenharia de Redes.

*AMEAÇA –* Antes de descer para a Reitoria uma ligação recebida por uma
jovem – que preferiu não se identificar – indignou os manifestantes. Era um
número desconhecido. “Era voz de um homem, que me chamou de lésbica, disse
que sabe meu nome e que vai me espancar para eu aprender”, disse a jovem,
aos prantos. A garota estava entre as pessoas que discutiram com o grupo que
foi ao “beijaço” defender o orgulho hetero.

Segundo informações da 2ª DP – que está de portas fechadas para atendimento
ao público – ocorrências só poderão ser registradas na unidade a partir de
sábado. “Não vou deixar de tomar as devidas providências”, garantiu a
vítima.

De lá os manifestantes seguiram para a Reitoria, onde se reuniram com o
chefe de gabinete, professor Wellington de Almeida, a Decana de Assuntos
Comunitários, professora Rachel Mendes e o assessor da Juventude, Rafael
Barbosa. “Queremos uma posição institucional da UnB contra homofobia. É
inconcebível esse tipo de atitude em uma universidade”, disse Luíza.
“Tomamos nota dos encaminhamentos, que serão debatidos  em reuniões sobre as
formas de combater o preconceito”, afirmou Rachel Nunes.

Rafael esclarece que será realizada uma reunião com o grupo. Ele adianta que
uma das intenções da administração é criar uma agenda institucional de ações
de combate à homofobia. “Vamos conversar também sobre uma outra proposta
deles, que é a criação de um centro de referência LGBT”, afirmou. A
administração divulgará nota sobre o trote da engenharia civil.

*CRÍTICA -* No fim da tarde, o Centro Aacadêmico de Agronomia lançou uma
nota criticando a ação dos manifestantes do beijaço. O CA, acusado de usar
práticas homofóbicas e machistas em trotes, foi um dos pontos onde o
protesto se concentrou. Uma bandeira colorida foi pregada na placa do
centro. “Para nós, o ato é legítimo desde que respeite símbolos
democraticamente constiuídos. Feito dessa forma, só ajuda criar
rivalidades”, afirmou a presidente do CA, Emanuele Caradoso.

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