Texto: Problemas de Gênero: feminismo e subversão da identidade,

Butler sugere que o que constitui o limite do corpo nunca é meramente material, mas que a superfície, a pele, é sistematicamente significada por tabus e transgressões antecipadas; de fato, em sua análise, as fronteiras do corpo se tornam os limites do socialmente hegemônico.

A teoria e política feminista parte de um precedente cristão e cartesiano, no qual o corpo é totalmente impresso pela história, pela criação de valores e significados por uma prática significante que exige a sujeição do corpo.

O que constitui mediante divisão os mundos “interno” e “externo” do sujeito é uma fronteira e divisa tenuemente mantida para fins de regulação e controle sociais.

Quando a desorganização e desagregação do campo dos corpos rompe a ficção reguladora da coerência heterossexual, o ideal regulador é então denunciado como norma e ficção que se disfarça de lei do desenvolvimento a regular o campo sexual que se propõe descrever.

Se a verdade interna do sujeito é uma fabricação, e se o gênero verdadeiro é uma fantasia instituída e inscrita sobre a superfície dos corpos, então parece que os gêneros não podem ser nem verdadeiros nem falsos, mas somente produzidos como efeitos da verdade de um discurso sobre a identidade primária estável.

A noção de uma identidade original ou primária do gênero é freqüentemente parodiada nas práticas culturais do travestismo e na estilização sexual das identidades butch/femme.

Imagem retirada do filme: Priscila a rainha do deserto.

Subversão de gênero, retratada no filme Priscila a rainha do desrto.

Ao imitar o gênero, o drag revela implicitamente a estrutura imitativa do próprio gênero, assim como sua contingência. No lugar da lei heterossexual, vemos o sexo e o gênero desnaturalizados por meio de uma performance que confessa sua distinção e dramatiza o mecanismo cultural da sua unidade fabricada.

Assim, o gênero é uma construção que oculta normalmente sua gênese, visto que o gênero é um projeto que tem como fim sua sobrevivência cultural e sendo ficções culturais este é obscurecido pela credibilidade dessas produções e pelas punições que penalizam a recusa a acreditar neles.

Lei heterossexual desnaturalizada por meio da performance drag. (Filme: Priscila a rainha do deserto)

Como em outros dramas rituais, a ação do gênero requer uma performance repetida para afirmação da norma. A performance é realizada com o objetivo estratégico de manter o gênero em sua estrutura binária.

O fato de a realidade do gênero ser criada mediante performances sociais contínuas significa que as próprias noções de sexo essencial e de masculinidade ou feminilidade verdadeiras ou permanentes também são constituídas, como parte da estratégia que oculta o caráter performativo do gênero fora das estruturas restritivas de dominação.

 

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3 respostas para Texto: Problemas de Gênero: feminismo e subversão da identidade,

  1. Edson disse:

    Toda discussão, e aqui abordamos o tocante a sexualidade perpassa por um caráter ideológico. O interlocutor que procura explanações sobre sexualidade e políticas sexuais sem estar, de alguma forma, inserido no contexto expressa naturalmente suas “convicções” mesmo que sem pretender. O que encontramos, pois diversos discursos aparentemente isentos ou neutros, mas que verdadeiramente vem carregados e pontuados de pequenas pré determinações.
    Discorrer sob a subversão do gênero meramente tendo como base teorias, torna a narrativa pouco produtiva e de nada acrescenta nem bibliograficamente tão pouco no âmbito social.

  2. cristina disse:

    Vi varias ves e adro o filme
    tem muito chamer , estilo e criatividade
    adorei ! parabem au atror

  3. Janice disse:

    kkkkkkkkkkk Bravo!

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